segunda-feira, 28 de maio de 2007

Onde Mora o Mal



Onde Mora o Mal (Where the Evil Dwells, 1982), um dos últimos trabalhos do escritor norte-americano Clifford D. Simak, é de uma certa forma uma fusão dos dois romances de fantasia anteriores (O Outro Lado do Tempo e A Irmandade do Talismã). A trama se passa numa Terra alternativa onde o Império Romano perdurou até os nossos dias. Um mundo que vive em plena Idade Média governado pela civilização duas vezes milenária de Roma. Existem basicamente três forças mutuamente antagônicas: Roma, os bárbaros e o Mal. Este último poder consiste numa espécie de Estado-tampão localizado na Europa Central, entre as fronteiras romanas e os domínios bárbaros do extremo oriental da Europa. Ao contrário das terras romanas e da barbárie, a região do Mal não é habitada exclusivamente por seres humanos, mas também por ogros, duendes, gnomos, fadas, demônios, etc.
O objetivo da peregrinação desta vez é a captura de um prisma místico que encerraria a alma de um homem santo em seu interior. Evidentemente, tal prisma se encontra muito bem guardado em pleno coração da "Terra Vazia", o domínio do Mal. Desse modo, os expedicionários têm que superar dezenas de obstáculos e perigos até chegar ao objetivo. O casal de protagonistas humanos são o já tradicional jovem nobre guerreiro e uma não tão convencional jovem guerreira camponesa (Oh, é claro que há o happy-end para o casal de pombinhos!). Há ainda um primata racional peludo e extremamente longevo, um abade "guerreiro", um trolho covarde, além de outros coadjuvantes especialmente convidados. Mais uma vez, como já é de costume nas obras de fantasia de Simak, o objetivo não é totalmente alcançado. Os inimigos, contudo, são fragorosamente derrotados, apesar da tremenda superioridade numérica de que dispunham. De quebra, a jovem arqueira consegue desvendar o enigma de sua origem.
Poucas vezes na literatura de FC&F, um autor explorou tão bem e de tantas maneiras diferentes um mesmo filão temático. Foi necessário surgir alguém do porte de Simak para trazer com êxito a saga épica, a epopéia e o bucolismo de uma temática típica de peregrinação para os domínios da FC&F.
Nota 06

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Referência das imagens:1- Capa de uma edição americana de "onde Mora o Mal" ilustrada por Michael Whelan.
2- Capa da edição em língua portuguesa (que pode ser encontrado em qualquer boa livraria de sebo).

quinta-feira, 10 de maio de 2007

A Torre Negra



Inspirada no universo imaginário de J.R.R. Tolkien, no poema épico do século XIX "Childe Roland à Torre Negra Chegou", e repleta de referências à cultura pop, às lendas arturianas e ao faroeste, A Torre Negra mistura ficção científica, fantasia e terror numa narrativa que forma um verdadeiro mosaico da cultura popular contemporânea.

Stephen King começou a escrever a coleção quando ainda era um estudante universitário, na década de 1970. O primeiro volume, O Pistoleiro (The Gunslinger), foi publicado inicialmente em capítulos na revista de ficção científica The Magazine of Fantasy and Science Fiction. Relançado em 1982 em forma de livro, foi seguido por A Escolha dos Três (The Drawing of the Three, 1987), Terras Devastadas (The Wastelands, 1991), Mago e Vidro (Wizard and Glass, 1997), Lobos de Calla (Wolves of the Calla, 2003), Canção de Susannah e A Torre Negra (Song of Susannah, 2004) e finalmente A Torre Negra (The Dark Tower).

Tudo começa com Roland Deschain de Gilead, o último pistoleiro de um mundo devastado, perseguindo o Homem de Preto em um deserto que parece sem fim. Alcançar seu enigmático e quase inumano antagonista é apenas o primeiro passo do Pistoleiro em direção à Torre Negra, onde ele espera poder retardar ou reverter a progressiva destruição do Mundo Médio. A Torre é a obsessão de Roland, seu Cálice Sagrado, sua única razão de viver. Mas Roland não poderá empreender essa busca sozinho, e ela tampouco se limitará às fronteiras de seu mundo.

Roland é um pistoleiro que está atrás de Walter, um homem negro que é uma criatura semi-humana a quem espera conseguir informações de como chegar a "Torre Escura". Walter serve a um feiticeiro chamado Marten que anos atrás havia seduzido a mãe de Roland.
Na perseguição, Roland encontra um garoto chamado Jake Chambers, morto em nosso mundo em Nova Iorque e que agora está no mundo de Roland. Jake começa a acompanhar Roland na perseguição, mas no caminho ele cai em um buraco e volta a morrer. Roland poderia tê-lo salvo, mas, preferiu seguir caminho para não perder as pistas.
Quando Roland alcança Walter, este lhe conta seu futuro, onde aparecem três pessoas essenciais na busca da Torre: a Morte, o Prisioneiro e a Dama das Sombras.
Essa é uma coleção de cinco contos publicados independentemente, e todos são, de alguma forma, episódicos e prefaciais para o mito The Dark Tower. São considerados os cinco longos capítulos do primeiro romance. São eles:
The Dark Tower é uma das grandes realizações de Stephen King. Ele a projetou para sete.
O épico The dark Tower é uma saga contendo diversas camadas, cronologias, personagens e gêneros que, apesar de toda a sua complexidade, fala sobre um único personagem, Roland Deschain de Gilead e sobre sua busca sagrada para encontrar a Torre Negra.
Vários outros livros de King são parte da história de Roland. São eles: As Irmãzinhas de Elúria (Tudo é Eventual), Insônia, Hearts in Atlantis (ainda não traduzido) e Paranóide: Um Canto (Tripulação de Esqueletos).
Nota 08
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Referências das Imagens:
As ilustrações são da versão em Quadrinhos baseada na obra épica de Stephen King -A Torre Negra-.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Onde Encontrar ?

Um dos maiores problemas dos leitores de Fantasia no Brasil é encontrar nas livrarias o seu gênero favorito. Fato este, que fez com que eu garimpasse todas as livrarias e sebos que encontrei pela frente (desde 1990) na busca constante de descobrir obras de fantasia (tarefa nada fácil por sinal). Foram muitas as procuras e pesquisas na Internet em busca de autores que escrevessem obras de fantasia (ao estilo tolkieniana de preferência).
Com a adaptação da obra de Tolkien (O Senhor dos Anéis) para o cinema e o espantoso sucesso de Harry Potter, o mercado nacional dá novo enfoque para o gênero. Desta forma, muitas pessoas que desconheciam a obra assistiram ao filme O Senhor dos Anéis, compraram os livros e ao mesmo tempo em que terminaram de ler tornaram-se órfãos, pois não encontraram nada para acalentar o seu desejo literário. Em verdade, a obra de Tolkien é o que temos de melhor no campo da fantasia. Enfim, foram muitos os aspectos positivos que vieram juntos com esse sucesso cinematográfico e “comercial”: em 1º lugar está a facilidade de encontrar em qualquer boa livraria do Brasil quase que todos os livros de Tolkien traduzidos para o português e em 2º lugar o espaço que as editoras vêm abrindo para novas traduções e publicações do gênero...
Não tão felizmente é que a maior parte – ou melhor – quase todas as publicações do gênero, hoje, vão ao encontro do menino bruxo Harry Potter, deixando desta forma os amantes da obra de Tolkien carentes de histórias que lembrem um pouco das aventuras vividas na Terra Média.
Este, portanto, é o motivo que fez com que eu editasse esse fanzine. Para que de alguma forma as pessoas que entraram em contato com o gênero literário de fantasia possam dar continuidade a estas aventuras de “capa espada & feitiçaria” em outros mundos e em outros tempos da vasta imaginação de seus criadores.
Neste espaço recomendarei três lugares onde poderão encontrar as obras que aqui serão apresentadas: uma rede de livrarias de novos e usados de Porto Alegre, uma livraria que infelizmente hoje vende apenas livros novos (mas, ainda assim é um ótimo lugar para encomendar livros) que fica na região do Vale dos Sinos em São Leopoldo e um sebo virtual para aqueles que se encontram distantes das localidades aqui recomendadas. Vale lembrar que todo e qualquer sebo é altamente recomendado para aqueles que procuram autores como Clifford D. Simak, Jack Vance, dentre outros.
No mais, eu desejo uma boa sorte a todos que desejarem se aventurar por estes tortuosos caminhos em busca das grandes obras da literatura fantástica. Boa sorte e boa leitura.
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Estarei atualizando em breve os endereços destes lugares para postalos aqui...
Referência da Imagem:
Obra de Joel Thomas, -Rai-.
http://www.fantasygallery.net/thomas/> em 09 de maio de 2007 às 15h e 30min.

O Arqueiro e a Feiticeira

"Após a batalha, a rainha Loxian chamou seus três mais poderosos guerreiros. —Os nergals escaparam —disse ela, tristemente. —Mundos desconhecidos pagarão por nosso erro. — Como podemos impedir que isto aconteça, senhora? —perguntou o guerreiro mais corajoso. —Não há como segui-los —constatou o mais sábio. —Há um caminho —sorriu o mais esperto."


O Arqueiro e a Feiticeira é o primeiro volume da tetralogia da jornalista Helena Gomes A Caverna de Cristais, lançado pela Devir em 2003.
A história é centrada no arqueiro Thomas, um rapaz criado por uma trupe maltrapilha de artistas. Em um mundo no qual os nobres mantém o povo na ignorância, Thomas é considerado alguém estranho e até repudiado por ter poderes diferentes, como é o caso por exemplo do dom da premonição.
Na verdade, ele é o Herdeiro de uma temida profecia que envolve outros mundos além de Britanya e inimigos terríveis, os nergals. Seu antagonista é o arcebispo Hugues De Angelis, um homem cruel, capaz de tudo para defender os interesses dos nergals na Britanya.
Existem, também, outros personagens, como a nobre Erin De Durham (uma jovem que não se conforma com o papel secundário da mulher na patriarcal sociedade britã), seu pai Mark De Durham (um cavaleiro corajoso e brincalhão, que segue apenas sua própria consciência), Vince De Angelis (o melhor dos cavaleiros de Britanya e grande rival de Thomas) e o misterioso Mestre Dines (um monge que guarda intrigantes segredos).
A história de O Arqueiro e a Feiticeira é muito bem estruturada. Sua trama é consistente e sua efabulação é bem desenvolvida, pois consegue relacionar personagens e ações levando em consideração circunstâncias espaço-temporais. A autora caracteriza os personagens de forma clara: tais personagens estão muito próximos de pessoas que todos conhecemos, facilitando desta forma a identificação. A narrativa é poderosa e o encadeamento dos fatos é bem arquitetado. Além disso, a ação é rica em ritmo e dinamismo e os desdobramentos ao longo da trama nos permitem acompanhar as transformações vivenciadas pelos personagens.
Lamento o fato de não terem sido lançados os outros volumes dessa empolgante e recomendável obra de Fantasia.
Penso que está mais do que na hora de nós leitores e leitoras contribuirmos com a difusão deste gênero literário, recomendando-o, presenteando... Quem sabe, assim, as nossas editoras abram mais espaço para autores e autoras, como Helena Gomes, para produzirem e publicarem os seus trabalhos.
Dado que, são poucos os autores, no Brasil, que escrevem no gênero da fantasia, menor ainda é o número de escritores que produzem obras de qualidade como O Arqueiro e a Feiticeira, portanto, devemos prestigiar e respeitar estas obras, não apenas por serem nacionais, mas, antes, por serem obras de imensa qualidade literária.

Nota 10

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O texto acima foi publicado originalmente, em março de 2005, na primeira edição do fanzine Pergaminho. O zine teve neste nº uma tiragem de 100 exemplares distribuídos gratuitamente nas cidades de São Leopoldo e Porto Alegre – RS. Na ocasião não tinha nem idéia de quando sairia os outros livros da saga. Neste ano de 2007 resolvi dar mais visibilidade ao meu pequeno fanzine e criei o blog Pergaminho digital zine na esperança de alcançar um número maior de leitores. E para minha própria surpresa a autora encontrou a resenha do seu livro no blog e deixou um comentário informando que o 2º livro da saga, Aliança dos Povos, fora publicado pela Idea Editora. Gostaria de agradecer a escritora e jornalista Helena Gomes pelo excelente trabalho realizado e pala atenção que demonstrou ter com seus leitores. Assim que tiver lido o 2º volume da saga A Caverna de Cristais estarei publicando um comentário, como é de praxe, aqui no blog e na versão impressa de Pergaminho que continua em circulação. E como ninguém é de ferro vou deixar aqui alguns links relacionados à obra de Helena Gomes:

A Caverna de Cristais – Sitio oficial da saga.

No orkut:
A Caverna de Cristais – Comunidade criada por Marcelo Andrade;
O Arqueiro e a Feiticeira – Comunidade criada por Ana Claudia;
Os Nergals – É isso mesmo, os nergals também tem sua própria comunidade;
Helena Gomes – O perfil da autora no orkut.

Mais uma vez um muito obrigado a Helena e boa leitura a todos.







Capa do fanzine Pergaminho nº 1 (março de 2005).

O Outro Lado do Tempo




Em 1988 foi anunciado o falecimento de Clifford D. Simak. Esse escritor (recebedor de vários prêmios) foi reconhecido por seus pares como um dos melhores escritores de Ficção Científica & Fantasia.
A maior parte da extensa e importante obra de Simak é dedicada a FC (Ficção Científica). Contudo, algumas perolas da literatura fantástica foram deixadas para nós por esse ícone da FC.
Dentre elas, temos O Outro Lado do Tempo (Enchanted Pilgrimage, 1975), um trabalho de fantasia com elementos de FC. Sua trama se desenrola numa Terra paralela — na qual duendes, demônios, feiticeiros e ogros têm existência real — e a humanidade é governada pela Igreja Cristã. Dentre os peregrinos mais notáveis se destacam: um estudioso monástico dotado de uma espada mágica (Lâmina Brilhante); uma jovem cujos pais vieram de uma terceira Terra, que abriga uma civilização não-tecnológica e humanista; um cientista do nosso próprio mundo; um gnomo artífice; um duende bastante ladino; um alienígena recém-nascido e um anão realmente minúsculo. A expedição é realizada no interior daquilo que os personagens denominam “Terras Perdidas” e, bastante anomalamente em se tratando de um trabalho de Simak, há quase que um objetivo para cada peregrino: a jovem quer reencontrar seus pais; o gnomo deseja ofertar um machado ancestral aos “Antigos”; o cientista quer explicar a multiplicidade das Terras; ao passo que o duende e o alienígena parecem ser os únicos a ingressar na expedição por mero espírito de aventura.
Os obstáculos são numerosos e muito mais típicos dos textos de fantasia de estirpe tolkieniana do que de trabalhos de FC ortodoxos. Contudo, o final é tipicamente simakiano: todos os peregrinos reunidos em torno de uma mesa, ouvindo as explicações de um filósofo, representante de uma sábia e veneranda civilização alienígena que pretende fundir as culturas das três Terras para criar uma civilização humana adulta. Como também é de praxe, simakianamente falando, pinta um clima romântico entre o estudioso da Terra da Magia e a jovem da Terra Humanística.
Apesar desta obra conter elementos de FC ao contrário de A Irmandade do Talismã (The Fellowship of Talisman, 1978) que é fantasia em estado puro, ela não perde em nada para outras obras do gênero. Simak realmente foi e é um mago do nosso tempo, o que faz da sua assinatura uma garantia de uma boa e empolgante leitura para todos os amantes de Ficção Fantástica.




Nota 08
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Referência das imagens:
1- Capa de uma edição americana de "O outro Lado do Tempo".
2- Capa da edição em língua portuguesa (que pode ser encontrado em qualquer boa livraria de sebo).

Beowulf

Beowulf
Em um pequeno passeio pelas inúmeras livrarias de Montevideu no ano de 2003 me deparo com um pequeno livro chamado Beowulf. Eu que, desde minha adolescência, era um amante da literatura de Tolkien até então não tinha tido a oportunidade de ler o clássico poema épico que o havia inspirado para sua maior obra O Senhor dos Anéis. E, sem pensar muito, comprei-o, entre tantos outros livros este foi o único que não esperei o meu retorno para o Brasil para começar a lê-lo. Aquele pequeno clássico de bolso acabou me custando algumas boas palestras que perdi na Universidade Federal de Montevideu por estar completamente absorvido pela literatura em questão. Enfim, estou postando esse artigo para o meu amigo Angelo Martinicorena, que é um fã de Mitologia Nórdica, com a intenção de começar uma série de artigos dedicados a este tema.
O Poema
Beowulf (c. entre 700 - 750 d.C.)[1] é um poema épico tradicional, escrito em inglês antigo[2] com o emprego de aliteração. Com 3.180 versos – é mais longo do que qualquer outro poema em inglês antigo –, representando aproximadamente 10% do conjunto da literatura anglo-saxã[3] que sobreviveu até hoje. O poema não contém um título no manuscrito, mas é conhecido como Beowulf desde o começo do século XIX. É o mais antigo poema escrito em língua moderna e é um dos mais célebres poemas épicos, um marco na literatura medieval.
Se você não leu Beowulf, eis um pouco de informação adicional, começando por um fato curioso. Este poema, tão importante na literatura inglesa, passa-se inteiramente fora da Inglaterra. Toda a ação transcorre na Escandinávia porque o poema se baseia em lendas levadas à Inglaterra junto com a nova língua.
Ambientado em uma era de guerras entre os dinamarqueses, os suecos e uma tribo chamada geats (vinda do que é hoje a Suécia meridional), o poema é, em grande parte, dedicado a lutas entre o guerreiro geat –Beowulf– e três criaturas. Os eventos principais transcorrem como segue:
Podemos dividi-lo em três partes. A primeira parte narra as aventuras do herói homônimo, que viaja a corte do rei Hrothgar para o livrar da terrível predação do demônio Grendel, um grande ogro[4] que busca vingança pela morte de seu pai. Beowulf vence e fere mortalmente Grendel em duelo antes que ele fuja, utilizando por arma apenas as suas mãos nuas. Num segundo momento, a mãe de Grendel vem vingar a morte do filho com novas carnificinas. Beowulf segue o seu rasto até uma caverna submarina onde a combate e vence. O relato então é cortado por um longo hiato temporal e no terceiro e último momento do poema encontramos o mesmo Beowulf, já idoso e rei entronado do seu país, que volta a ação e intenta a façanha de livrar o seu reino de um dragão, que fora acordado por um servo que roubara uma taça do seu tesouro. Beowulf ataca o dragão na sua própria caverna, mas apenas consegue matá-lo a custo da sua própria vida. O poema termina com o funeral do rei e herói.
O poema, naturalmente, é muito mais do que uma simples sucessão de cenas de luta. Permanece como a mais famosa obra de seu tempo por causa de seu estilo, seus detalhes reveladores e seus temas grandiosos. Este épico poema, como já fora dito anteriormente, serviu como uma das fontes de inspiração para a obra de Tolkien, O Senhor dos Anéis, que pegou emprestado um pouco de cada um desses ingredientes.
Tradução
Em português há uma tradução (a primeira) tendo como base o texto original em inglês arcaico e textos de duas edições em inglês moderno, feita por Ary Gonzales Galvão, com introdução e notas do tradutor.
GALVÃO, Ary Gonzales (trad.). Beowulf. São Paulo: Hucitec, 1992.
A edição que tenho é uma tradução para o espanhol feita por Roberto Rosaspini Reynolds.
REYNOLDS, Roberto Rosaspini (adap.). Beowulf. 1ª ed. Buenos Aires: Longseller, 2003, 256 pág.

Nota 10
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[1] Considerada a mais antiga obra literária em inglês, Beowulf provavelmente foi composta no século VIII. Apenas um exemplar do texto em antigo inglês, redigido cerca de duzentos anos mais tarde, sobrevive até hoje. Está no Museu Britânico.
[2] Antes que o antigo inglês chegasse com os anglo-saxões em meados do século V d. C., a maioria dos britânicos falavam formas de céltico. O antigo inglês transformou-se no médio inglês à medida que novas palavras chegaram com a Conquista Normanda (Francesa) de 1066. O inglês moderno começou a surgir por volta de meados do século XV.
[3] O antigo inglês, também chamado de anglo-saxão, uma língua levada à Grã-Bretanha por volta de 449 d.C. por tribos invasoras da Europa (“anglo-saxão” vem dos nomes das tribos: anglos, saxões e jutos).
[4] Os ogros que são um tipo de variação dos trolls, que por sua vez são, na mitologia nórdica, os gênios do mal, que estão em contínuo enfrentamento com os deuses. Uma das lendas mais conhecidas que os envolvem é aquela que conta como Trym, rei dos trolls, roubou o martelo de Thor (que lhe dava toda a sua força), quando este dormia, e o enterrou a 5 km no fundo da terra. Exigiu, então, como preço do resgate, que lhe fosse dada Freyja (deusa da fertilidade) como esposa. Thor se disfarça de mulher e se apresenta como noiva. Quando é trazido o martelo para as núpcias, Thor o recupera e mata os trolls. Essa era a explicação mitológica nórdica para a alternância das estações. Aquelas em que havia ausência de chuvas e seca nas terras seriam aquelas em que os trolls haviam roubado o martelo de Thor e em que a deusa da fertilidade estava correndo risco de se tornar esposa do rei dos trolls, cujo intuito era justamente destruir Midgard (Reino do Meio).

Editorial




Ficção Científica e Fantasia épica receberam por muito tempo atenção amadora do meio editorial brasileiro. Coleções mal-planejadas, traduzidas e distribuídas contribuíram para que a imagem do gênero, entre os leitores de literatura em geral, não fosse das melhores. Muitos e importantes autores foram vítimas da falta de seriedade de editores brasileiros para com o gênero. Assim sendo, conseguir encontrar as poucas edições existentes de seus livros é tarefa que, por vezes, lembra as longas e aventurosas sagas narradas nos próprios. Para encontrá-los é preciso visitar exaustivamente bancas, sebos e bibliotecas.
A Colecção Argonauta, de Portugal é a mais antiga série em língua portuguesa de ficção científica e fantasia. É preciso paciência e disposição ao procurar esses livrinhos (a Argonauta é editada em formato de bolso) imprevisíveis. Pode-se perder meses em busca de um único exemplar ou encontrar dezenas deles em um único sebo. Entretanto, com o sucesso dos últimos anos do Senhor dos Anéis e Harry Potter surgiram dezenas de histórias semelhantes, o que podemos chamar de o “ataque dos clones”. Tal proliferação possibilitou, também, a tradução e o lançamento de obras antigas, que são verdadeiras perolas da fantasia, como é o caso por exemplo de As Aventuras de Prydain [cinco volumes] de Lloyd Alexander escritas em 1969. É importante ressaltar que antes só tínhamos as publicações da coleção Ficção Científica da Europa-América de Portugal (livros com formato de bolso).
Sendo assim, este Digital Zine tem a proposta de trazer alguns informes para novos e velhos leitores desse gênero literário tão querido por uns e odiado por outros. Aqui o leitor encontrará pequenas resenhas, dicas de livros e autores, publicações novas e antigas, bem como os melhores lugares da região para encontrar esse gênero literário.
Aproveite esta referência que esta em suas mãos pois encontrar um material desse é tão raro como o espetáculo de um dragão esvoaçando entre as estrelas.
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Referências das Imagens:
Obras de Larry MacDougall, na ordem: 1 Castle e 2 Troll Path.
http://www.fantasygallery.net/macdougall/> em 09 de maio de 2007 às 15h e 30min.